Língua Portuguesa

A Nossa Unidade - Série

Dorothy Bell – Austrália

O que você acredita que pode ser feito de forma a trazer maior compreensão entre todas as tradições teosóficas, ultrapassando as aparentes barreiras insuperáveis que as têm dividido durante demasiado tempo? Como pode você individualmente ou no seu grupo contribuir positivamente para este processo?

As tradições religiosas ou espirituais são o produto do seu passado em termos de mudança e continuidade. Cada um tende a se recrear em gerações sucessivas ao longo do tempo, preservando e mesmo solidificando o modelo original nas suas estruturas, crenças e métodos. Os membros habitualmente têm ligações kármicas e envolvimento emocional na tradição que escolhem ou na qual nasceram.

Ramificações revolucionárias tendem a mudar métodos ou estruturas de acordo com diferentes valores e perceções. A mudança evolucionária dentro de uma organização torna-se necessária quando os distintos contextos sociais ou culturais têm impacto na sua importância ou sobrevivência. Portanto, uma resposta à questão principal consiste em dizer que embora as pessoas de mentalidade idêntica, para lá das fronteiras das organizações espirituais ou igrejas, se possam agrupar numa variedade de atividades por todo o tipo de motivos, fazê-lo não seria tanto para corrigir o passado (porque não há nada estragado a precisar de conserto), mas para responder a uma perceção de uma necessidade interna e uma causa comum.

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A Doutrina do Olho e a Doutrina do Coração

De um estudante

“Diz o discípulo: Ó Mestre, que farei eu para alcançar a Sabedoria?

Ó Sábio, que farei eu para conseguir a perfeição?

Procura pelos Caminhos. Mas, ó Lanu, deves ter um coração limpo antes de empreender a viagem. Antes de dar o primeiro passo, aprende a discernir o real do falso, o transitório do permanente. Aprende contudo a separar o conhecimento mental da sabedoria da Alma, a doutrina do “Olho” da doutrina do “Coração”.”

de A Voz do Silêncio, 109-111

A um discípulo procurando conhecimento sobre o caminho para a sabedoria e perfeição, o mestre responde com uma distinção entre a aprendizagem mental e a sabedoria da Alma e enfatiza a importância da limpeza e purificação do “coração”. Esta distinção, central para o ensinamento no texto sagrado A Voz do Silêncio, é expressa nos termos metafóricos da “doutrina do olho” e da “doutrina do coração”. Explicações sobre os dois termos podem ser feitas a vários níveis de desenvolvimento humano que variam desde as escolhas mais elevadas de um ser iluminado às abordagens correntes da aprendizagem e dos deveres da vida humana.

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A Nossa Unidade – Série

Vicente Hao Chin Jr. – Filipinas

Sobre a Unidade Teosófica

O tema da unidade teosófica é complexo. Primeiro temos de clarificar sobre que tipo de unidade estamos falando.

Se é sobre unidade organizativa – isto é, fundir todas as organizações teosóficas numa só – então isto parece improvável, pelo menos no futuro próximo. O terreno ainda não está pronto.

Se é sobre unidade cooperativa entre as diferentes organizações teosóficas para facilitar a missão do movimento teosófico, então é definitivamente possível, além de desejável.

Abaixo estão algumas ideias sobre esse esforço:
1.    Em primeiro lugar, precisamos de declarar o óbvio: os princípios subjacentes desta cooperação deveriam ser os objetivos do movimento teosófico conforme formulados pelos fundadores, incluindo os Mahatmas nas suas cartas. Os elementos necessários desses objetivos não são demasiado difíceis de definir, embora possam existir algumas áreas cinzentas. Os três objetivos da ST, a vida espiritual, a construção de carácter, a filantropia teosófica e a popularização da Teosofia (este é um exemplo de uma área cinzenta) são exemplos de base para esta visão e trabalho unificados.

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A Nossa Unidade – Série

Jacques Mahnich – França

Avançando

Desde a sua criação, a história do movimento teosófico moderno parece um registo infindável de cismas, conflitos humanos e divergências em ideias e ações. Para propor realisticamente algumas ideias e iniciativas que sirvam para uma reconciliação, com o projeto para avançar como uma corrente unida (re-unida) de pensamentos e ações nós devemos avaliar atentamente as causas primordiais para esses desvios dos objetivos iniciais da Sociedade Teosófica e das intenções dos seus fundadores. Um denominador comum, que muitas vezes existe na maior parte dos movimentos espirituais, parece ser este permanente comportamento egoísta de pessoas que estão tão convencidas de saberem como encontrar a Verdade melhor que ninguém, incluindo os fundadores do movimento, e portanto rejeitam qualquer outra voz.

Através das iniciativas individuais e coletivas, o século XXI parece ter espoletado uma “renovação” teosófica em que os estudantes estão a se afastar da cristalização das organizações existentes de modo a regressar aos objetivos originais da Sabedoria Divina. Parece que a história está se repetindo quando comparamos isto com os movimentos religiosos como, por exemplo, os cristãos que regressaram à mensagem original dos Evangelhos. E traz-nos esperanças de contar com nova energia e com uma unidade na diversidade.

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A Nossa Unidade – Série

Dara Eklund – USA

Mais perto do Objetivo

É na verdade natural que os teosofistas estejam em introspeção numa altura em que parecem existir tantos elementos divisionistas ainda em ação na sociedade. Sustentando o ideal que a “fraternidade é um Facto na Natureza”, parece que a humanidade como um todo ainda não percebeu este Facto. Enquanto declamam lealdade à “Unidade na Diversidade”, os elementos diversos não foram ainda integrados numa perspetiva equilibrada, e muito menos numa unidade. Observamos com os antigos preceitos taoistas que “O Grande Caminho é muito simples, mas as pessoas adoram os atalhos”. Também a filosofia chinesa mostrou-nos que, para ter harmonia no mundo, primeiro devemos ter harmonia no indivíduo, na família e na nação. Portanto a harmonia começa connosco, nos nossos corações e vidas diárias, ao dominar as tendências negativas que nos têm separado do nosso Ser Verdadeiro.

Como Alice Cary escreveu no seu poema “Nobreza”
“O verdadeiro valor está em Ser, não em parecer – em fazer cada dia que passa, algum bem – não em sonhar grandes coisas para ir fazendo aos poucos e poucos…Não existe nada tão majestoso como a bondade, e nada tão majestoso como a verdade”. Influenciamos o conjunto da humanidade com esses simples começos.

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A Nossa Unidade – Série

Betty Bland – EUA

Unidade entre teosofistas
Uma das minhas receitas favoritas, embora decadente, vem da família da minha mãe - é o tradicional bolo inglês do Sul. A receita provavelmente apareceu quando as receitas não eram ainda tão sofisticadas como hoje, e portanto os seus ingredientes eram simples: 450 gramas de ovos, 450 gramas cada de manteiga, açúcar e farinha. Ajustamentos para refinar a receita foram feitos ao longo dos anos, mas as proporções continuam sendo as mesmas. Ora, isto é um caso onde o todo é melhor que as suas partes. Cada ingrediente é dependente da sua mistura com os restantes e se algum ingrediente falhar, o resultado é um desastre.


Bolo inglês do Sul

Como teosofistas que estão comprometidos com o objetivo fundamental da fraternidade, somos parecidos com esse bolo inglês. Através dos nossos desafortunados desencontros e desacordos nós evoluímos para ingredientes diferentes mas essenciais de todo o bolo teosófico. Se algum dos nossos grupos que está comprometido com a mundivisão teosófica conforme defendida pela Madame Blavatsky se afasta dos restantes, rebaixa o resultado do nosso produto final – o erguer da humanidade, com a consequente libertação da superstição religiosa e materialismo científico, de modo a que possamos crescer em paz e harmonia.
Considerando a situação mundial atual, podemos ver mais claramente do que nunca porque os Mestres eram tão firmes sobre a urgência da nossa tarefa. A senhora Blavatsky tornou isto claro nos seus escritos, e eu cito-a a partir dos Collected Writings:

Mas para que possamos ser capazes de efetuar este trabalho em nome da nossa causa comum, nós temos que dissipar todas as diferenças particulares. São muitos os membros ativos da Sociedade Teosófica que desejam trabalhar e trabalhar muito. Mas o preço da sua ajuda é o de que o trabalho seja feito à sua maneira e não à maneira dos outros. E se não é, então eles afundam-se na apatia ou deixam completamente a Sociedade, declarando a viva voz que eles são os únicos teosofistas verdadeiros …Mas para trabalhar corretamente na nossa Grande Causa é necessário esquecer todas as diferenças pessoais de opinião sobre como o trabalho deve ser levado a cabo. Deixemos cada um de nós trabalhar à sua maneira e não nos dediquemos em impor as nossas ideias aos nossos vizinhos…A Teosofia é essencialmente não sectária e trabalhar por ela permite a entrada na nossa vida interna…Portanto, “A UNIÃO FAZ A FORÇA”; e por todas as razões, diferenças particulares devem se dissipar no trabalho comum pela nossa Grande Causa (Vol.XI; pp. 165-166).

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Editorial

Jan Nicolaas Kind –Brasil

Há muitas luas atrás - deve ter sido no verão de 1968 quando ainda vivia em Amsterdão – que pela primeira vez na vida me disseram que existia algo chamado Teosofia. O homem que teve a bondade de me abrir essa porta era um famoso músico judeu de idade avançada, que havia sobrevivido milagrosamente aos horrores da II Guerra Mundial. Eu fiquei fascinado por ouvir falar sobre as leis de causa e efeito, karma, reencarnação, os mundos visíveis e invisíveis, tolerância e compaixão, liberdade de pensamento e sobre como a música cria energia que influencia as mentes das pessoas e o seu ambiente.
Eu lembro-me vivamente daqueles passeios pelo parque da capital da Holanda. Quando nos sentávamos num banco, ele sempre começava por me contar a sua longa e interessante vida como violinista e maestro, os artistas e os compositores que tinha conhecido, os seus anos em Paris, os amores da sua vida e a…Teosofia.

Na altura - os vibrantes e coloridos anos sessenta - a minha cabeça estava preenchida com Jim Morrison, Jimi Hendrix e os Iron Butterfly. Eu tinha a certeza que ia mudar o mundo. Bob Dylan era o meu herói, a guerra no Vietname era horrível, Woodstock estava ainda a ser preparado e à noite eu sentava-me com alguns estudantes meus amigos tentando entender o que Jean Paul Sartre queria dizer quando escreveu que os humanos estão condenados a serem livres. A somar a tudo isto, esse senhor de idade falava comigo sobre Teosofia.

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